Por que Estou Aqui?
Uma Noite Mullá Nasrudin caminhava por uma rua. A rua estava deserta e de repente se deu conta de que uns homens a cavalo, uma espécie de tropa se dirigia até ele. Sua mente começou a trabalhar. Pensou que podiam ser assaltantes, que podiam matá-lo. Ou que podiam ser soldados do rei e podiam levá-lo para prestar serviço militar ou qualquer outra coisa.
Se assustou e quando os cavalos e o ruído que formavam se aproximaram, se pôs a correr e entrou em um cemitério e para esconder-se jogou-se em uma tumba aberta. Ao ver aquele homem correndo, os cavaleiros que eram simples viajantes, se deram conta do que havia acontecido. Correram atrás do Mullá Nasrudin até a tumba onde estava. Ele jazia com os olhos fechados como se estivesse morto.
— O que lhe aconteceu? Por que você se assustou tão de repente? Qual o problema?
Então Mullá Nasrudin se deu conta de que havia assustado a si mesmo sem motivo. Abriu seus olhos e disse:
“É algo muito complexo, muito complicado. Se insistirem em perguntar-me por que estou aqui, eu lhes direi. Estou aqui por vossa culpa e vocês estão aqui por minha culpa.”
É um círculo vicioso. Quando você tem desejos, sua mente corre para o futuro — e isso cria um hábito. Quando esse futuro finalmente chega, ele já se transformou em presente, e então você corre novamente para outro futuro. Hoje você pensa em amanhã, e isso vira um padrão. Mas o “amanhã” nunca chega. Ele não pode chegar. Quando chega, já é hoje — e você já está condicionado a fugir do hoje em direção ao próximo amanhã.
Assim se forma a cadeia: cada vez que você alimenta esse movimento, mais forte ele se torna, e mais você se empenha em completá-lo. O amanhã nunca chega. O que chega sempre é o hoje — mas você não tem relação com ele, porque criou um mecanismo automático: diante do hoje, você parte imediatamente para o amanhã.
Extraído de “Cuentos de Nasrudin” – Idries Shah
