A Farmácia Cósmica de Nasrudin

Blog do Wali, farmacia cosmica de Nasrudin

Nasrudin estava desempregado. Perguntou, então, a alguns amigos que tipo de profissão deveria seguir.

“Bem, Nasrudin,” disseram, “você é muito capaz e conhece bastante as propriedades medicinais das ervas. Poderia abrir uma farmácia.”

Nasrudin foi para casa, pensou e disse para si mesmo: “sim, acho que é uma boa ideia. Acho que sou capaz de fazer isso.”

Naturalmente, sendo Nasrudin, nessa ocasião em particular passava por um de seus momentos de desejar ser proeminente e importante. Assim, pensou: “Não abrirei apenas uma loja de ervas ou uma farmácia que lide com ervas; abrirei algo grandioso e que cause um forte impacto”.

Comprou uma loja, instalou prateleiras e armários e quando chegou a hora de pintar a fachada, montou um andaime, cobriu-o com chapas e trabalhou atrás delas. Não deixou que ninguém visse o nome que daria à farmácia ou como a fachada estava sendo pintada.

Após vários dias, distribuiu folhetos que diziam: “Grande inauguração, amanhã às nove horas”.

Todos de sua aldeia e das aldeias vizinhas vieram e ficaram esperando em frente à nova loja.

Às nove horas, Nasrudin apareceu, retirou a placa da frente e lá estava um enorme cartaz onde se lia:

“Farmácia Cósmica e Galáctica de Nasrudin”

E abaixo estava escrito:

“Influenciada e harmonizada com influências planetárias.”

Muita gente ficou impressionada e ele fez um ótimo negócio naquele dia.

Ao anoitecer, um professor local aproximou-se de Nasrudin e lhe disse:

“Francamente, essas alegações que você faz são um pouco duvidosas.”

“Não, não”, respondeu Nasrudin, “cada alegação que faço sobre influência planetária é absolutamente correta. Quando o sol se levanta, abro a farmácia e quando o sol se põe, eu fecho.”

Portanto, podem haver diferentes interpretações sobre quanto a influência planetária afeta alguém e sobre o quanto dessas influências alguém recebe ou usa.

Extraído do livro: Sufismo como Terapia, Editora Dervish, 1996

Posts Similares

  • Bravo com o Faquir

    Um Faquir clamava que poderia ensinar qualquer analfabeto a ler através de uma “técnica instantânea.” “Ok,” disse Nasrudin. “Ensine-me.” O Faquir tocou a cabeça de Nasrudin e disse, “Agora leia alguma coisa.” Nasrudin saiu, e retornou à praça da aldeia uma hora depois com um olhar raivoso no rosto. “O que aconteceu?” perguntaram os aldeões….

  • A Mulher Perfeita

    Nasrudin conversava com um amigo. — Então, nunca pensou em casar-se? — Sim, pensei — respondeu Nasrudin. — Em minha juventude, resolvi buscar a mulher perfeita. Cruzei o deserto, cheguei a Damasco e conheci uma mulher muito espiritual e linda; porém, ela não sabia nada das coisas deste mundo. Continuei viajando e fui a Isfahan;…

  • Como Nasrudin criou a verdade

    “Estas leis não tornam melhores as pessoas”, disse Nasrudin ao Rei; “elas devem praticar certas coisas de forma a se sintonizarem com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente. O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade….

  • Por que Estou Aqui?

    Uma Noite Mullá Nasrudin caminhava por uma rua. A rua estava deserta e de repente se deu conta de que uns homens a cavalo, uma espécie de tropa se dirigia até ele. Sua mente começou a trabalhar. Pensou que podiam ser assaltantes, que podiam matá-lo. Ou que podiam ser soldados do rei e podiam levá-lo…

  • A Mudança do Amigo

    Um amigo de Nasrudin disse um dia, “eu estou mudando para outra vila. Você pode me dar seu anel? Desta forma eu sempre lembrarei de você todas as vezes que olhar para ele!” “Bem,” respondeu Nasrudin, “você pode perder o anel e esquecer-me. Então em primeiro lugar eu não vou dar o anel a você,…

  • O Contrabandista

    Nasrudin cruzava a fronteira todos os dias, com as cestas de seu burro carregadas de palha. Como admitia ser um contrabandista, quando voltava a casa à noite, os guardas da fronteira o revistavam uma e outra vez. Revistavam sua pessoa, reviravam a palha, a submergiam em água e inclusive a queimavam de vez em quando….

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *